sábado, 4 de marzo de 2017

ETNIA WARAO
Índios venezuelanos pleiteiam morar em RR, na Terra Indígena São Marcos
Enquanto esperam pelo posicionamento dos líderes da terra indígena em Pacaraima, os Warao fazem intercâmbio com as comunidades locais
Por Folha Web
Em 04/03/2017 às 03:27
Índios Warao que viviam na Feira do Passarão foram transferidos para o Centro de Referência ao Imigrante (Foto: Antonio Diniz )
Há mais de um ano no Estado, cerca de 180 indígenas venezuelanos da etnia Warao estão vivendo no Centro de Referência ao Imigrante (CRI), localizado no ginásio poliesportivo do bairro Pintolândia, próximo à Praça Germano Augusto Sampaio, na zona Oeste da Capital. Eles foram transferidos para lá no fim do mês passado. No entanto, a maioria deles começou a buscar uma alternativa para viver e sobreviver em comunidades do Estado. Após reunião com os líderes da Terra Indígena São Marcos, no Norte de Roraima, no Município de Pacaraima, os indígenas esperam pela resposta realizando intercâmbios culturais com as demais comunidades.
O indígena Ramon Gomes explicou que os Warao decidiram entre si quem ficaria no Estado e quem iria embora. Apesar de não saber quantificar os que irão ficar, ele relatou que a maioria está fazendo o intercâmbio. O primeiro contato aconteceu no mês passado, em São Marcos. Os líderes indígenas de Roraima informaram que iriam levar o caso à base para saber se é viável ou não o convívio com os venezuelanos.
Ramon Gomes também declarou que os Warao se reuniram em assembleia junto a 46 comunidades indígenas, entre Yanomami, Wapixana e Macuxi, a fim de trocar história e a experiência que estão vivendo em razão da crise no país vizinho. “Foi histórico, maravilhoso. Estamos agradecidos com a recepção de contar a história e a realidade. Isso nasce como uma alternativa para se instalar em Boa Vista”, afirmou.
Conforme relato, os indígenas tiveram auxílio do Departamento de Políticas Indígenas (DPI) da Secretaria Estadual do Índio (SEI) para o diálogo com as comunidades. O diretor do DPI, Alfredo Silva Wapixana, explicou que, apesar da situação não ser de competência do Estado, o auxílio foi a forma encontrada de ajudar. Para tanto, foi solicitado que os índios criassem uma comissão a fim de que os assuntos fossem debatidos de forma mais organizada.
Dentro do compromisso assumido, Alfredo Silva disse que já conseguiu que a Fundação Nacional do Índio (Funai) pudesse documentar os Warao, tendo em vista que crianças da etnia já estão nascendo no Brasil. “Também articulamos o diálogo com os líderes da Terra São Marcos. Enquanto isso, como é um processo que pode ser longo ou não, vão fazendo o intercambio para sair da cidade”, frisou.
Intercâmbio será na comunidade de Canauanim no fim de semana
Neste fim de semana, dias 3 e 4, os indígenas da etnia Warao vão realizar o intercâmbio cultural junto à Comunidade Canauanim, localizada no Município do Cantá, região Centro-Leste do Estado. Um dos líderes indígenas venezuelanos, Ramon Gomes, explicou que já havia sido planejado o contato no território que abriga 220 famílias. “Vamos mostrar nossa dança e aprender com eles a jogar futebol”, destacou.
DPU - Na semana que vem, a Defensoria Pública da União (DPU) vai realizar três dias de audiência pública em Roraima, para tratar da situação dos Warao. Nos dia 8 e 9, o encontro será realizado em Pacaraima,
município localizado a 220 quilômetros ao Norte do Estado, na fronteira com a Venezuela, No dia 10, em Boa Vista, será realizada uma audiência pública geral. Na oportunidade, os indígenas vão aproveitar para pleitear as demandas que tiverem. (A.G.G)

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